Futebol, superação e CrossFit

Depois de um tempo fazendo CrossFit acontece o seguinte:
Ou você provoca desdém ou inspira entusiasmo.

E nos entusiasmados acontece algo muito curioso:
“- Ah! Legal esse CrossFit! Mas eu preciso ficar mais condicionado, mais magro, mas alto, mais fit, ganhar asas, consultar o tarô e ficar menos sedentário pra começar, né?”
– NÃO, diacho!
Já perdi a conta de quantas vezes fomos obrigados a desconstruir esse mito.
Os atuais atletas de ponta não chegaram lá competidores de elite. Na verdade, a maioria nem poderia ser considerada atleta quando começou. Eles foram forjados com tempo e dedicação.
Só para contrariar
Bom, voltando à estratégia de convencimento, eu gosto de citar alguns praticantes no discurso.
Os idosos – que não teriam a vantagem da juventude – os convalescentes (safenados, hipertensos, diabéticos) e os atletas com deficiência física.
Na Ares temos todos esses bravos guerreiros e, felizmente, o número deles cresce a cada dia em boxes espalhados pelo Brasil e o mundo.
Se eles estão lá, desafiando essas condições impostas pela destino e vencendo obstáculos incansavelmente… O que nos impede?
Resgate e superação
Uma dessas histórias me constrange. Me emociona.
E vai além: Me faz querer ser melhor!
Eu não posso guardá-la pra mim.
O fazer do jornalista é contar casos… A gente se realiza assim: Ao compartilhar trajetórias e lições!
Conheço praticantes e atletas de CrossFit cadeirantes, como o Diego Coelho, e deficientes visuais como a super Liliane Camargos.
Mas o jogador de futebol de amputados, Tadeu Mitraud, nos tocou ainda mais!
Por conta desses imprevistos que surgem na vida de cada um, o Tadeu ficou longe dos campos e o condicionamento dele caiu. Isso custou uma vaga na seleção brasileira. Um hiato na carreira. Um vazio no peito.
Longe dos gramados como manter-se motivado, ativo, condicionado? (Reveja como neste link!)
Bingo! Aí que entra o CrossFit! Na verdade se materializou no que a atividade traz de mais bonito: A amizade!
Crossfiteiro tem muito disso. Acostume-se. Colaborar está no sangue!
O Vinícius Machado, da administração da Ares, não se conformou com a situação do amigo de longa data e tratou de matricular o nosso jogador. E foi logo sentenciando:
“Se vira. Todo ano tem convocação e o que você vai fazer enquanto espera?”
Não demorou muito para o Tadeu conquistar a galera (com as piadas mais infames e o humor mais que apurado) e um super fôlego!
O resultado?
Sim. Saiu! Ele se destacou no campeonato brasileiro e, este ano,  temos – COM MUITO ORGULHO – um crossfiteiro na Seleção Brasileira de Futebol de Amputados, senhoras e senhores!
Tadeu, você é o cara!
Estamos contigo na torcida, no box e na vida!
Bate-Papo
Nós conversamos com o Tadeu depois da notícia e ele dividiu com a gente muito mais que a felicidade desta nova fase! Confira:
AC – Você tem familiaridade com a superação. Foi sempre assim? E como você constrói essa confiança?
TM – Não sei bem se superei algo, meus pais nunca me deixaram pensar assim. Até porque todo dia surge um desafio novo pra todo mundo. O que é necessário é uma reconstrução mental de que nós somos é capazes sim. Mas, mesmo com essa filosofia de vida, eu achava que não era possível fazer CrossFit.
Poxa, logo eu?! Pois é!
Foi preciso muita insistência dos amigos para ver que eu podia (felizmente) e que o CrossFit seria uma ferramenta essencial para meu desenvolvimento.
Eles estavam certos!
O ser humano às vezes é assim: Nós somos teimosos e insistimos em criar paradigmas em nossas vidas que, na maioria das vezes, não existem. E nisso o CrossFit é mestre em nos ensinar.
AC –  Como foi retornar à seleção após se preparar no box?
TM – Após 2 meses de treinos, me preparei para o Campeonato Brasileiro, onde pude me destacar e ser reconhecido hoje, com esta convocação. Sensacional! Sempre soube do meu potencial, mas era necessário um movimento maior para que eu pudesse alcançar o objetivo. Foi aí que entrou o CrossFit nessa preparação. Meus amigos viram que era a peça que faltava para dar certo e montamos o plano. O resultado veio imediatamente e o que era um projeto despretensioso virou uma sólida base para a construção de muita coisa no futuro. No CrossFit, as dificuldades são cada dia menores. Consigo executar quase todos os movimentos, evoluindo sempre um pouco mais, e a cada dia que passa, dou menos trabalho pros meus coaches e mais para os meus colegas, rsrs.
AC – E para galera que ainda não se convenceu de que “É possível” praticar CrossFit?
TM – Bom, para quem está aí, lendo essa entrevista, fique sabendo que é verdade esse bilhete! Esse bilhete é o bilhete que você quer escrever para sua vida. Mesmo que ela pareça errada, é você quem irá construí-la e chegar onde, talvez, ainda não tenha imaginado. É muito bonito ver um deficiente fazendo CrossFit. É motivador pois a superação é tangível. Mas ir para o CrossFit com um um parente doente ou um problema n o trabalho, isso sim é superação. Todos nós temos que vencer nossas batalhas diárias e o CrossFit é a menor delas, porém, o retorno que ele vai te dar, pode ser um dos maiores.
“…somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder, ou quiser. Sempre desejada, por mais que esteja errada.”
E você?
O que está esperando mesmo?
Raquel Capanema
Jornalista, apresentadora de TV e Crossfitter de paixão.
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