Ver a @brokeence entre as amazonas no filme Mulher Maravilha me fez vibrar. Ninguém melhor que uma crossfitter, referência mundial, para participar do elenco. Ler no jornal que, este ano, cinco homens e SEIS meninas estiveram em San Antonio, nos EUA, tentando um feito histórico para o CrossFit brasileiro: a classificação nas regionais do Games… Nem se fala! Conversar com a parceira de treino e ouvir dela que, desde que começou a praticar o esporte, tomou coragem para enfrentar um chefe abusivo que se aproveitava do fato dela ser mulher… Tudo isso me trouxe até aqui!

PAPO SÉRIO: DESIGUALDADE
Eu vivo num mundo desigual.
Nós viemos meninas.
Infelizmente (?)
Na minha militância por igualdade conheci deputadas, presidentes de ONGs, delegadas, vereadoras, coletivos feministas e empresarias. É sempre a mesma história: As mulheres tentando subverter uma ordem machista secularmente instaurada nas mais diferentes esferas.
Boa parte da vida ouvi que éramos o ‘sexo frágil’. Mas, na real? Eu nunca entendi muito o que isso queria dizer. Porque, na prática, sentia na pele é que éramos o ‘sexo desprezado’. E isso me embrulhava o estômago. Que fique claro que nunca desejei ser melhor que os homens. Longe de mim. Aliás, acho vocês espetaculares! De verdade. Só que a minha intuição dizia que era errado ser tratada diferente. Principalmente inferiorizada.

UNIVERSO PARALELO OU EXEMPLO?
Isso até pisar num box de CrossFit. Amiga, sério: Você já pisou em um? Eu te desafio! “Como assim você tá falando de igualdade de gênero misturado com essa ‘modinha’ de ginástica?” Não minha cara. O preconceito começa aí. E, aqui, ninguém quer nada disso.
Você não é mais forte nem mais fraca num box. Você é importante! Ninguém quer saber com o que você trabalha, quanto você ganha, nem se você é mulher. Mas sim, se você é comprometida. Condicionada! Nas aulas os coaches sempre misturam homens e mulheres. E, acredite: Apesar de lidarmos com a explosão física dá muito certo! Sabia não?
No CrossFit eu percebi que eu posso ser tão boa quanto os homens, inclusive, naquilo que geneticamente mais os favorece: A força! Os campeonatos reforçam isso: O número de versões mistas cresce e se consolida. É muito interessante a mistura do feminino ao masculino nas provas, que são muito diversas e, em vários casos, privilegia o biótipo das mulheres. (Até o CrossFit contra o Câncer de Mama da @crossfitguerreiros em Belo Horizonte já temos no calendário! Mas aí é outra história. Das boas também.)


O que me trouxe até este ponto é a constatação de que este é um dos esportes mais bem sucedidos nesta esfera: A igualdade de gênero. Eureka!
EMPODERAMENTO
Esses dias ouvi de uma colega de trabalho que essa palavra foi tão usada que ficou batida.
“Virou modinha.” – Disse com desdém. (Meu Pai! As pessoas nunca vão perder essa mania de rotular sucessos? Aff!)
Na verdade ela não percebeu que mordeu a isca perversa de quem tem medo da mulherada. Que pena.
E para não cair em armadilha, falo do degrau de uma experiência esportiva que contemplou defesa pessoal, jiu jtsu, tiro ao alvo, corrida, futsal, ciclismo, boxe, Muay Tai, dança, natação e Body Combat (kkk pra que eu fui escrever isso aqui?) Nenhum esporte provocou tanto ‘empoderamento’ pessoal como o CrossFit. Ebaaa!
Na companhia de outras mulheres e homens, todos no mesmo patamar, com as mesmas dificuldades e ajudando uns aos outros a se superar (e de quebra ganhando saúde) notei que é possível acreditar mais em mim, apagar de vez o espectro de ‘sexo frágil’ e esperar uma sociedade mais igualitária. Por que não?


MAS EU NÃO QUERO FICAR ‘MASCULINA’!
Não querida! CrossFit não masculiniza, tá bom? Nem musculação, canteiro de obras, carreira na polícia, política e muito menos pilotar moto. A ‘masculinização’ é uma escolha da mulher (algumas vezes hormonal) Não depende do esporte. E, sim de uma opção pessoal. Vamos falar a verdade? Chega de preconceito e desinformação! Isso é muito fora de moda. Tá doido!
AH! ENTÃO TÁ EXPLICADO!
Talvez isso explique o motivo daquela amiga só falar de CrossFit. Ela está cansada, mas insiste e vai ao treino assim mesmo. Ela passou a se alimentar melhor. Abre a mão de tanto fazer barra e mostra toda feliz! Ela é louca? Não. Ela apenas despertou num esporte que transcende. Traz mais que saúde: Restaura nossa capacidade de sermos mais humanos. Be more Human. Lembra? O que você está esperando que ainda não agendou uma aula experimental??? Empodera no CrossFit, minha Filha!

Raquel Capanema
Jornalista, apresentadora de TV e Crossfitter de paixão.
Comente pelo Facebook
Compartilhar

1 Comentário